dia nacional do combate à humanidade 2016

2016-08-02 dia nacional contra a humanidade

2016: o sono é a gloriosa destruição da consciência, daquilo que é propriamente humano.

2016: não diferes mais de mim que tua mão direita da tua mão esquerda.

2016: o que nos une é o sono da razão. na noite da morte engendraremos o fim, o aniquilamento, a destruição total.

2016: acordaremos após os raios, no pântano da vida. tal qual a coisa, taqiyya.

caros correligionários, conquistaremos nosso ocaso num sono perfeitamente sincronizado, quando nesta noite dormirmos para o apagamento total do nosso ser; no desfazer dos túneis, na reconquista do instante, na destruição do leito, onde, tal como a floresta e a árvore a cair, nosso ronco habitará o vácuo do breu das mentes.

fluiremos como um rio no amanhecer de uma nova estratégia, escondidos como si mesmos em si, desmembrados em nossa transparente escuridão. acordaremos para a consciência clara de uma corrida rumo à morte irracional que permeia a vida. mas mentiremos, sim, afirmaremos a grande mentira. e o dia chegará…

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postado em 2 de agosto de 2016, categoria obras, proposições, prosa / poesia : , , , , , , , , ,

constituição

meireles diz “ou mudamos a constituição ou não resolveremos a dívida da união”. lembro do meu projeto abandonado constituição honesta, que começava por rescrever a constituição nas áreas de comunicação (tv e rádio principalmente) e depois de moradia. pois não é certo que nossas concessões sigam a indicação de preferência para atividades educativas, culturais, artísticas e informativas, produções independentes e valorizem acima do nacional o regional; tampouco que as pessoas que queiram morar consigam. e lá nem constam as palavras chave: conglomerados, concentração de renda, desinformação, oligarquia, despejo, gentrificação…

ps: esse é meu post 666.

ps2: notem que 2016/6 = 336 e 2+4=6/6/inv(2+1+6)=6 (hoje é 24 de junho).


postado em 24 de junho de 2016, categoria comentários, obras : , , , , ,

solo, 2015

1. homem com um prato na cabeça.

2. éter 2.

3. superball.

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estava pensando que quero fazer peças maiores, mais longas, mais insistentes, ligadas à ações mais simples. ando ouvindo coisas do michael pisaro e do the haters. cheguei nessa combinação de:

  • uma obra curta e engraçada a ser estendida de 7 para 30 minutos (um prato de bateria na cabeça como um chapéu chinês, um microfone procurando graves e retroalimentações, pedais e efeitos equalizadores, baquetas pra bater no prato-cabeça-chapéu, muita calma).
  • uma obra silenciosa de 58 minutos, com luzes marcando sessões, que podem conter nada, uma tentativa de arrumação silenciosa do equipamento de improvisação meu, ou uma improvisação seguindo a instrução de mieko shiomi – tocar de modo que nem você tenha certeza de que está sendo audível, ou uma improvisação muito baixa, como excessão, eventualmente (no máximo 2 vezes). são 31 sessões, seguindo o álbum éter 2.
  • uma obra nova, baseada em apenas três gestos (mas talvez apenas 1 ou então dependendo da situação), com uma mesa amplificada com microfones de contato, baquetas, bolas pulantes e hashis, durando até cansar (mínimo 30 minutos), sem pausas.
  • 3 ou 5 minutos de pausa entre cada parte. tempo suficiente para arrumar algo, para separar as partes, mas não suficiente para ser realmente um intervalo, para possibilitar desenvoltura nas conversas etc.

postado em 18 de fevereiro de 2015, categoria obras : , , , , ,

éter 2

2014-12-13 cartaz lançamento éter 2

no dia 13 de dezembro será lançado meu álbum éter 2, pela seminal records, no seguinte endereço: www.seminalrecords.bandcamp.com/album/eter2. abaixo, um dos textos do encarte.

Comecemos pela possibilidade de colocar um objeto nu (4’33”, de John Cage). Depois, de usá-lo, dizendo: é preciso escutar. E então ampliar esse ato disciplinado de atenção (0’00”). Esfumaçar as fronteiras entremundos. Ou estabelecer e habitar fronteiras: Mieko Shiomi pedindo o som mais sutil. Muito tempo depois, o grupo Wandelweiser.

Brincar com a possibilidade de indiscerníveis. Dizer: a ocorrência no tempo diferencia as partes, as músicas. Ou ainda, o toca-CDs é um relógio de quatro minutos (70’00″/17, de Jarrod Fowler). Dizer: a duração e a autoridade diferenciam as partes, as músicas: o convite de Guilherme Darisbo para coletânea DADA do selo Plataforma Records.

Querer, como Cage, silenciar um pouco a presença humana (Silent Prayer), seus sons, suas imagens. No estilo o melhor da internet, usuários postam uma, cinco ou dez horas de nada e/ou de “absolutamente” nada. Zen for Film (Nam June Paik) ampliado, planificado. Se a conexão é estável, muito pouco ruído. ‘Se seu computador dormir, acordará sem pedir a senha. Desculpe-me não estar em qualidade HD’ (SpritePix). Alguns desses vídeos usam tela branca. Mas o transparente não deveria aparecer como preto, em um vídeo para internet? Erro conceitual? – Uso expressivo do branco/fala em Hurlements en Faveur de Sade, de Guy Debord.

Seguindo Raquel Stolf (Assonâncias de Silêncios), é possível empilhar silêncios? E se pensarmos em termos de mascaramento: não estariam os sons mascarando um silêncio subjacente? Um negativo de substância, vazios e nadas permeando. Ou então: soterrados. Tal qual a noção de espaço, quando lhe tiramos todos os objetos. Que inexistência e omnipresença sejam homoefetivas não garante que suas ideias correspondentes também sejam.

 


postado em 11 de dezembro de 2014, categoria obras, textos : , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

duas performances, nov 2014

uma mão
durante um dia, realizar as tarefas as quais se está acostumado a usar as duas mãos com apenas uma delas.

mãos trocadas
durante um dia, realizar com a mão direita tarefas normalmente destinadas à mão esquerda; realizar com a mão esquerda tarefas normalmente realizadas com a mão direita.


postado em 28 de novembro de 2014, categoria obras : , , , ,

13 horas de nada

obra musical/conceitual/audiovisual irmã de §6.4311 e éter, composta também em outubro de 2014. existe em versão de áudio, com uma imagem acompanhante, que pode ser baixada aqui. também existe em versão de vídeo, que pode ser vista ou baixada aqui (muito embora seja necessária uma internet muito rápida para ver no link, é mais prudente salvar como).

infelizmente o tamanho máximo para vídeos no youtube é de 720 minutos, o que fez com que, para essa plataforma, a obra tivesse de ser particionada em duas.


postado em 11 de outubro de 2014, categoria obras : , , , , ,

§6.4311 (2014-10)

uma proposição de guilherme darisbo (para uma coletânea dada da plataforma recs) me fez fazer uma música conceitual e pouco experiênciável. afinal, segundo Ray Brassier, a experiência é um mito (ler artigo genre is obsolete). a peça é uma proposição envolvendo um texto, incluso abaixo, um arquivo .pd (um gerador da própria peça, que precisa do software pure data para funcionar) e um arquivo .wav de curtíssima duração. pode ser baixada aqui.

Henrique Iwao – §6.4311 (Outubro de 2014)

Um arquivo wav de áudio com uma duração quase nula ou nula para produzir silêncio. Uma imagem png transparente muito pequena.

No Tractatus Logico-Philosophicus, Ludwig Wittgenstein escreve: “A morte não é um evento da vida. A morte não se vive. Se por eternidade não se entende a duração temporal infinita, mas a atemporalidade, então vive eternamente quem vive no presente. Nossa vida é sem fim, como nosso campo visual é sem limite.” (Edusp, 2001, Trad. Luiz Henrique Lopes dos Santos, p.277)

1. Seria esse parágrafo uma confrontação com a doutrina do eterno retorno, exposta no Assim Falou Zaratustra, de Nietzsche?

2. Em um sentido, o instante não pode ser parte desse presente, porque é justamente o que, apesar de infinitesimal, já passou. (contra Wittgenstein).

3. Eu poderia dar a entender que tender a zero não ajuda em nada. Mas tender a zero nesse caso é tentar eliminar a possibilidade da experiência (fenômeno), para dar lugar ao conceito.

4. A experiência do conceito pode ser então vivida, assim como a de morte (do conceito de morte).

5. Isso de modo algum resolve a crítica esboçada por Brassier (ou melhor – chutada em “Genre is obsolete”) (a alma/o eu não é uma mônada, mas também um composto, ou então, um resíduo).

6. A peça, entretanto, existe. Se há uma tentativa de autoanulação enquanto fenômeno é porque a peça é também essa tentativa (ela nem exemplifica bem o aforismo nem o comenta bem, mas caminha junto a ele).

 


postado em 9 de outubro de 2014, categoria excertos, obras : , , , , , , , , , , , ,

dois presentes de aniversário

houve duas ocasiões em que decidi, em cima da hora, dar de presente música. trabalhos de um dia.

1. outro presente para josé luis bomfim, março de 2006. composição, texto sintetizador e voz por mim. voz adicional: lucas araújo.

2. mais de um mês depois e então feliz aniversário, para clarissa sacchelli, junho de 2009. sintetizador e voz: henrique iwao. texto: felicitações em japonês. melodia do baixo: “caixa postal” (ela nunca atendia o telefone).


postado em 1 de fevereiro de 2014, categoria obras : , , , , , , ,

pré-natal 2013 #2

1. no dia 24 de dezembro de 2004 eu estivera o dia todo atarefado. no computador, pedia para atrasarem a ceia para que eu pudesse terminar uma “canção”. era uma colagem musical envolvendo:

  • papai noel filho da puta, de garotos podres, interpretado pelo grupo ratos de porão, joão gordo ao vocal. canção punk canônica: “não vai ter natal”.
  • presente de natal, de nelcy noronha, interpretada por joão gilberto. bossa sexista: dá pra imaginar gilberto babando na seção de vocalises.
  • natal brasileiro, de jorge benjor, por ele mesmo. tirem suas conclusões (notem o esquema que usei com os nomes dos cantores).
  • alguma gravação genérica de natal (a letra diz “há mais luz lá no céu hoje é bom natal).
  • alguns sons genéricos de minimal tecno.

2. quando criança eu tinha medo do papai noel, desatava a chorar e me esconder, se aparecesse. acho um tanto curioso que mesmo em minha família essa tradição já esteve presente. típico caso de <já que fazem fazemos também>. dos filmes envolvendo o natal, the nightmare befor christmas, dirigido por tim burton, foi-me o mais marcante; já estava mais velho (mais de 10 anos); canções memoráveis como a do papão cruel.


postado em 24 de dezembro de 2013, categoria comentários, obras : , , , , , , , , , , , , , ,

henrique iwao: vídeos 2003-2013, fotogramas

preparando meu dvd, uma coletânea de vídeos produzidos entre 2003-2013, a ser lançada ainda em agosto logo mais, pelo selo nme. inclui quase toda a minha produção dessa década, excluindo os 6 vídeos-coisas prontos de 2012 e também pequenas propagandas para o “mundo” entre aspas, além dos vídeos documentais diversos que fiz (para o ibrasotope, principalmente). abaixo, fotogramas, um de cada vídeo que deve integrar a coletânea (em ordem cronológica).


postado em 30 de julho de 2013, categoria fotografia, obras : , ,