filosofia da queima de livros e museu das traças

1. filosofia da queima de livros (book burning philosophy / bücherverbrennung philosophie)

livros são bons itens para queima. é que, do ponto de vista do fogo, cada página é um objeto. um livro é formados por inúmeros objetos-páginas, leves e combustíveis. diferentemente de um toco de madeira, ou um tijolo, uma página resiste pouco, permitindo um passeio flamejante em que extinção e transmissão se confundem.

2. museu das traças

cultivam-se traças. quando há um número suficiente destas, digamos, 100 mil, elas são espalhadas em uma biblioteca, que logo se transforma em um museu das traças. livros viram traçados – relíquias do império lepisma.


postado em 24 de abril de 2016, categoria crônicas, proposições : , , , ,

fogo

colocar fogo nas coisas é sempre algo decepcionante. as pessoas esperam pirotecnia e outros delírios circences e/ou hollywoodianos, mas o fogo é difícil e custoso. isso porque a essência do fogo é a extinção. o fogo quer extinguir-se.

a dádiva é bela e gratificante, mas caprichosa.


postado em 29 de março de 2016, categoria aforismos : , ,

quatro vídeos ordinários

a esperar o vôo para santarém, das 0h30 às 4h30 no aeroporto de manaus, depois de um vôo de 9h (de são paulo a manaus, com escalas em fortaleza e belém). uma das piores logísticas de todos os tempos: de belém a manaus justamente não se passa por cima de santarém?! de qualquer forma, para contornar o sono, cansaço e calor (o ar condicionado estava “em conserto”), resolvi conferir se minha mala não seria colocada por engano na esteira errada.

na casa de kandyê medina. ela me hospedou numa casa confortável, com alguns probleminhas, mas ainda assim, confortável. no vídeo, participação involuntária e especial de julia salaroli, que aliás, fez questão de não desmentir o fato de que eu teria de dormir em uma rede (havia uma cama para mim, na realidade).

fomos à parte religiosa e tradicional do sairé, que se deu de manhã. mais interessados nos detalhes, filmei esse fogo, com o qual esquentavam o tarubá, bebida fermentada de mandioca.

após um ensaio aberto com julia e kandyê, no espaço alter do chão, morcegos e mosquitos beira rio. lembrei de conversa com marcelo muniz, na praia de ipanema, da quinzena anterior. meu projeto de igualar o estatuto da visão (que vê luzes e fixa imagens visuais) e o da audição (que ouve sons e fixa imagens sonoras) passaria supostamente por entender como o morcego fixa o mundo através das reflexões sonoras.

 

 


postado em 3 de outubro de 2012, categoria Uncategorized : , , , , , , , , ,

tenham um bom dia hoje!

tão cansado do fogo
tão casando da fumaça
tão cansado do fogo
tão casando da fumaça
me envie um anjo
me salve [me liberte]
me envie um anjo
me salve
eu quero ter um dia bom hoje
eu quero ter um dia bom hoje
eu quero ter um dia bom hoje
bom dia hoje
cansado afogado
indo tão mal
cansado afogado
indo tão mal
me envie um anjo
me salve
me envie um anjo
me salve

tão casado de : :
tão cansado de …. ;;
tão casado de : :
tão cansado de …. ;;
me envie um anjo
me salve
me envie um anjo
me salve
eu quero ter um dia bom hoje
eu quero ter um dia bom hoje
eu quero ter um dia bom hoje
bom dia hoje
tão cansado de ter medo
tão cansado da escuridão
tão cansado de ter medo
tão cansado da escuridão
me envie um anjo
me salve
me envie um anjo
me salve
eu quero ter um dia bom hoje
eu quero ter um dia bom hoje
eu quero ter um dia bom hoje
bom dia hoje

[david lynch, gooday today, com dean hurley, álbum: crazy clown time, 2011. director do vídeo: arnold de parscau, cinematografia:
jonathan bertin, antoine bon]

 


postado em 31 de maio de 2012, categoria Uncategorized : , , , , ,