sistemas sibila / watchme

recentemente, tanto psycho pass, de gen urobochi (2012), quanto o novo longa de michael arias (baseado em project itoh), harmony (2015), mostram cidades que funcionariam como o céu na terra, utopias do bem estar social.

agora, imagine uma situação em que o sistema sabe o que é melhor para seu bem estar mental, fazendo escolhas por você, de forma a otimizar seu desempenho e felicidade (sibila), ou então em que o sistema te informe o tempo todo quais as opções mais saudáveis, gerando um clima de cuidado mútuo inescapável (watchme). a consciência humana, supostamente tão pródiga em lidar de modo complexo com opções, considerações e reações, vê-se declarada como ineficiente a todo momento.

mas o custo seria alto, afinal? é claro, há vilões / problemas. e por serem sistemas ajustados demais, também facilmente se desajustam em surtos psicóticos (sibila) e suicídios (watchme). mas e a felicidade total gerada, não é muita? (sim, mas tal como em “admirável mundo novo”, existe a opressão da felicidade média – a dificuldade de, nesse cenário, produzir encontros, forçar pensamentos, o medo de não atender mesmo nessas condições facilitadas, de não ser normal, a depressão).

enquanto uma perfeita moralidade exige a atenuação controlada das emoções, uma perfeita harmonia implica uma supressão da consciência.

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é verdade que harmony está longe de ser inteiramente consistente, mas há algo que falta a psycho pass, mesmo com todo seu charme: mostrar ao espectador as vantagens do “japão fechado” não apenas como informações de prosperidade (que julgamos poderem ser falsas), mas como exemplos da real vantagem do sistema, exemplos que possam gerar ambiguidade/empatia. (o sistema aparece muito mais como um acontecimento infeliz do que como algo realmente desejado)


postado em 15 de setembro de 2016, categoria resenhas : , , , , , , , , ,