sexta-feira

há um posfácio de deleuze na tradução antiga e esgotada do livro de michel tournier, sexta feira ou os limbos do pacífico, que também foi publicado como um anexo ao seu lógica do sentido. há também, de tournier, uma versão juvenil para o clássico, intitulada sexta-feira ou a vida selvagem. ambas reescrevem a história de robinson crusoe, escrita originalmente por daniel defoe para glorificar a necessidade humana de organização da semana e seu correlato, a de colocar o trabalho produtivo como o centro da existência. no que tange a produtos da cultura humana menos gloriosos, leandro e leonardo justificaram a necessidade de <serem servidos de cerveja> (um trava língua), invocando esse dia, símbolo do final do expediente. já rebecca black, com um mote parecido, talvez não fosse velha o suficiente para ingerir álcool, e nem para trabalhar, mas já tinha, via pausas escolares e festas, essa noção bastante desenvolvida, looking forward to the weekend.

no que tange às redes gastronômicas, e ao hábito da hora feliz, na sexta agradecemos a deus pois seguramente teremos um despertar tranquilo no sábado, ou então, bastante tempo para digerir uma bisteca grande ingerida num ambiente pitoresco, como o TGI fridays. se sexta-feira eu sou amor, é porque descubro a paixão nessa passagem da rotina ordenada e seus dias de produção, ao dispêndio alegre, mas devidamente circunscrito.

mas e ser sexta-feira? robinson crusoe fica confuso. e muito porque está só quanto à decisão sobre o tempo e a produção. e tem de conviver com sexta-feira todo dia. então delira. tenta recompor-se inúmeras vezes. é preciso uma agenda, uma chibata, um cachimbo. manter-se apartado – é preciso uma semana.

na escola a qual atuo como educador, já disse algumas vezes, quando montávamos nossos quadros de horário, que não trabalharia às sextas-feiras, por ser músico.


postado em 5 de junho de 2015, categoria comentários : , , , , , , , , , , ,

dois comerciais

1. comercial de impregnante ipê. sujeito lavando a louça, pega frasco similar ao detergente ypê, a sujeira não sai mas sim gruda. ele exclama, levantando a embalagem (e aqui há um zoom em direção a esta). durante isso, ouve-se a fala: “ó, isso não era detergente”. após segundo fixo em ipê, mudança e apresentação de embalagem frasco, fundo de cores coloridas, artificioso, voz em off: “se você quer limpar, não use um impregnante.” com um final um pouco mais leve, voz menos grave e mais ondulada: “impregnantes ipê“.

2. comercial da cerveja noumena. música que é claramente um plágio de mc hammer, em virtude do possível trocadilho infame. deserto, ninguém, grande travelling rumo à praia, obviamente deserta. fusão e cerveja noumena 600 ml, com cores e luzes que deixam ambíguo o fato de haver ou não um conteúdo líquido. o rótulo mostra o emblema da ousia vazia (ø, como eu quis no vídeoclipe do efeito gruen). fundo artificioso colorido, combinando com as cores do deserto-praia. voz em off: “noumena. tome se puder” (com a primeira palavra falada como se a sede fosse saciada e o último a soando como ahh, de alívio; a segunda frase como algo sóbrio e inteiramente recomposto). logo após há uma fusão de volta para a praia (o trecho da música corresponde à ponte em que se canta breaking down), onde vemos, com um movimento de aproximação um martelo, partido ao meio, ser trazido do mar por uma onda, até a areia.


postado em 23 de maio de 2015, categoria publicitade : , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

rapadura mônada e cerveja noumena

2014-08-05 rapadura mônada 2

em inferno, da banda efeito gruen, insisti para que a cerveja usada chamasse noumena (talvez algum dia o edson fernando possa produzer alguma variedade com esse nome). no clipe, aproveitei pra divulgar a camiseta competition, de hugleikur dagsson, e o livro the thirst of anihilation, de nick land.

pós-escrito: gosto muito desse quadrinho, a alegorizar a teoria da harmonização da mente e corpo, de leibniz.


postado em 1 de janeiro de 2015, categoria comentários, fotografia, performances : , , , , , , , , , , , ,