música-ruído e forma: referências

saiu na revista linda impressa número 2, dezembro de 2015, um artigo meu intitulado música-ruído e forma: começo de conversa. ainda não vou vincular o texto aqui, porque espero que alguns comprem a edição física e usufruam de alguns meses de exclusividade. para estes, inicialmente, mas depois para todos, deixo aqui a lista de referências utilizada, conforme me é caro (remendando-caos). (entrando em contato, é possível comprar algumas unidades de mim).

2016-02-20 linda 2

ø: uma fala do merzbow no filme beyond ultra violence: uneasy listening by merzbow. contém a famosa colocação da década de 90 de que, à medida que noise [música de ruído] passou a ser considerado um gênero musical, ficou mais fácil tanto se concentrar no ruído puro (no som), quanto pensar a forma (musical) da música de ruído. extrarreferencialidade, que nada! (chega de shibari). ademais, a sanannda acácia, que fez a arte ao lado do título do texto, tem uma página no cargo collective.

1. paródia de da mihi factum, dabo tibi ius, do vocabulário jurídico.

3. a referência à disturbação, vem do livro o descrendeciamento filosófico da arte, de arthur danto, capítulo arte e disturbação.

4. as performances de kasper toeplitz e hrönir no bhnoise 2013 podem ser ouvidas aqui.

5. yersiniose lançou 1911 pela seminal records. de god pussy, governocídio é atribuído a darker days ahead e terceiro mundo chaos discos, e favela, a debila records. há um ou dois vídeos do duo nunzio-porres no youtube. the joy of noise poderia referir-se ao mashup homônimo do grupo riaa, mas mais provavelmente é um eco mental de informações adquiridas nesse programa idiota.

6. corpo código aberto era um duo, mas a um tempo é um solo. carla boregas não tem seu material lançado ainda. volume 1, de thiago miazzo, pode ser ouvido aqui.

7. uma entrevista com romain perrot no the quietus inspirou esse trecho (detalhe: eu deveria ter pedido para incluir essa imagem nesse ponto). o artigo citado é o capítulo 17 do livro editado por michael goddard et al, resonances: noise and contemporary music, qual seja, into the full: strawson, wychnegradsky and acoustic space in noise musics, de j.-p. caron. o álbum heavy metal maniac, de alfa lima international, pode ser ouvido aqui.

8. um vídeo-resumo do fime 2015 foi postado pelo ibrasotope, com um trechinho da performance de yuri bruscky.

9. um vídeo de uma performance de stones ii (noisecomposition iii), de j.-p. caron, pode ser visto aqui. é uma obra inspirada em stones, de christian wolff, parte da sua coleção de prosa. meu brasil não chega às oitavas vem desse álbum, mas existe também como performance. há uma vídeo de pronunciamento, de Manifestação Pacífica. vitrola e lixa, de gustavo torres, é descrita no seu site. a referência en passant à martin tétreault fica esclarecida ao consultar-se essa pequena entrevista dada para a trienal de quebec. o comentário sobre insignificanto se refere à segunda parte dessa performance (embora, nessa ocasião, o alto falante não tenha se desconectado, o que por vezes acontece, por engano, no meio da ruidera).

10. gx-jupiter larsen tem diversos trabalhos que podem ser situados na junção entre o noise e a arte conceitual. o monolito é uma imagem bonita, do clássico 2001: uma odisséia no espaço, de arthur c. clarke, mas não apenas: 3001 nos espera.

11. victim! tem vários álbuns. os dois lançamentos pela toc label devem exemplificar melhor esse ponto. verjault lançou alguns álbuns pela plataforma records e brainflesh, pela seminal records. bella acabou lançando o álbum dela, cantar sobre os ossos. há uma entrevista bacana com ela, aqui.  vejam: não tenho nenhum interesse em não divulgar os trabalhos dos meus colegas e do meu selo virtual – eles me fazem pensar, eles me dão uma boa dose de alegria!

12. argh, gostaria de poder reescrever esse. enfim, acavernus tem um bandcamp. o álbum rainha, do grupo dedo, foi lançado pelo qtv.


postado em 20 de fevereiro de 2016, categoria reblog, textos : , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

os não-melhores álbuns de 2015

listas de fim de ano tem a vantagem de tornar estrategicamente ruim lançar álbuns em dezembro, deixando o mês inteiro como “momento de ouvir muitas músicas e gostar de poucas”; em algum momento, inclusive, a questão, com a internet, é ir baixando deletando, ir ouvindo pulando. nesse esquema ouvi trêz álbuns até o final, por enquanto: sexwitch; music in exile; garden of delete. a outra vantagem é de mostrar como nosso hábitos de linguagem e de construção de sentido estão cheio de generalizações mal definidas, picuínhas transformadas em condições existenciais, percepções complexas feitas arrotos verbais etc. enfim, é o momento de transpor a forma funil à toda e qualquer incomensurabilidade e se regozijar na linguagem publicitária, esse bem universal.

em uma relação ambígua quanto a isso ofereço uma pequenina lista de não-melhores de 2015. com isso quero dizer: álbuns que eu considero valerem muito a pena ouvir; álbuns que me fizeram pensar, que me fizeram reavaliar o que para mim é escutar; álbuns que me mostraram saídas e caminhos diversos e interessantes, habilidades e construções que eu mesmo não iria atrás mas admiro muito. por fim, são álbuns todos eles de colegas, o que quer dizer: pessoas que trombo por aí. não necessariamente o que valorizamos mais está longe; pode estar bem próximo. ademais, a lista é propositadamente curta: há muita coisa boa sendo feita, mas com todas essas listas, ficarei feliz se o leitor dessa postagem ouvir um álbum destes até o final.

£ stefan prins, peter jacquemyn, matthias koole – mármore e murta: como disse marco scarassatti, “música improvisada a valer”. energia, equilíbrio, consistência, mas sem perder a dose de risco que é o melhor complemento que se pode ter ao domínio.

≠ flores feias – f .˙. f .˙.: canções levemente desafinadas e riffs de rock que se atêm ao simples; cortes abruptos e caseiros; som sombrio.

¢ macos campello – bamsa: improvisos de guitarra solo; um fundo de samba (de standards a lá bailey); sequências extravagantes e macromontagens como num filme de goddard.

∞ god pussy – animal: ruidera visceral, recortada em faixas/sessões, com a diferença importante de que elas seguem por 3 horas a fio.

¶ bella – cantar sobre os ossos: no lado b, a relação sobreposta entre as diversas camadas aí distorcidas da colagem de obras de mulheres e a voz e seu canto tanto ritualístico quanto desconcertante. a construção no não encaixe, na retomada soterrada.

§ j.-p. caron – breviário: álbum de tom lírico e confessional: aproximações entre música e sentimentos cotidianos. acompanha ou é acompanhada por belos poemas-partitura (baixe o álbum). entrelaçamentos de uma vida.


postado em 21 de dezembro de 2015, categoria resenhas : , , , , , , , , , , , , , , , , , ,