dengue

uma explosão de sensações.


postado em 12 de março de 2016, categoria comentários, prosa / poesia : ,

chasm ou tema para uma sessão de fotos

we invited photographers to the studio
what they did not know
there was endless void
nothingness itself
sucking all light
roaming non-darkness

from non-light
sparkles of time
madness
horrid maudnerings
muted voices
a non-space of cohabitation

how to do it?
a-death
micropause
shatter the real
storm life
click chaos

they were lured indeed


postado em 5 de fevereiro de 2016, categoria prosa / poesia : , , ,

no mesmo palco que maria bethânia

20151025_DP-16
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melhor no inhotim seria solo tocar
meu cachê foi todo embora
numa compra no verdemar
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coletivo d’istante no inhotim, 25 de outubro de 2015, fotos de daniela paoliello.

{ps: o poema ruim retrata uma realidade social mas não a opinião individual do autor.}


postado em 19 de janeiro de 2016, categoria performances, prosa / poesia : , , , ,

poema-plágio roubado de ana martins marques

como o alpinista ama o vazio das grandes alturas
trabalho dias seguidos uma morte que não entendo

{a vida submarina, de ana martins marques. belo horizonte: scriptum, 2009}

***

bônus penélope

penélope enamourou-se de espera
e torcia toda noite que ulisses não voltasse

e não como (VI), eles sentados lado a lado, ela lhe narrando a segunda odisseia.


postado em 7 de dezembro de 2015, categoria prosa / poesia : , , , , , , , , ,

paixões fantasmas

primeiro me apaixonei por uma garota que tinha um olho de cada cor.

depois por uma garota com óculos de armação preta grossa e um nariz muito belo, e olhei tão fixamente pra ela que tive de cumprimentá-la como seu eu a conhecesse.

depois por um rapaz que eu percebia fingir gay, e sua amiga disse que ele era “bem hétero”, apesar da onda traveco “ei lindinho”.

depois por uma garota que usava uma jaqueta preta, e quando saímos era muito difícil encontrar o bar, o bar havia sumido.

essa já era a quarta paixão.

todos eles fumavam.

eu sempre detestei a fumaça.

para francisco de castilho.


postado em 21 de julho de 2015, categoria prosa / poesia : , , , ,

ladainha do nome de deus

deus não tem nome. deus não é o nome de deus. deus é como o nome de deus é chamado. o nome do nome de deus é deus, porque é como o nome de deus é chamado. não há nome possível para o nome de deus. o nome de deus não é o nome de deus. o nome do nome de deus não nomeia deus, nem o nome nome de deus.


postado em 15 de maio de 2015, categoria prosa / poesia : , , , ,

quatro mantras

eu sou (apenas) um fragmento do todo
tenho toda a tranquilidade que preciso
eu mergulho no vazio, não no caos
a energia do mundo passa por mim


postado em 20 de abril de 2015, categoria prosa / poesia : , , , , ,

maximun jailbreak

earth a trap
storm the heavens
conquer death

maximun jailbreak

 

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a terra, uma armadilha
invada os céus
conquiste a morte

desbloqueio máximo


postado em 8 de janeiro de 2015, categoria prosa / poesia, reblog : , , , , ,

a morte e o colecionador de livros

dizem que a morte é a sina do colecionador de livros cujas estantes não têm mais sequer um livro não lido. como a grande maioria dos colecionadores têm o hábito da aquisição constante, a chamada maldição da biblioteca conhecida não chega nem mesmo a ser um tópico de debates e profilaxias, exceto em obscuros compêndios e sociedades de livreiros sovinas. e no entanto, dado o mútuo interesse, as trocas de indicações e as especulações sobre paradeiros de edições raras, acabamos ouvindo comentários dispersos aqui e ali.

de um certo senhor de gante soube-se que a vida inteira só comprou livros usados, todos, segundo ele, devidamente lidos – o senhor supostamente  certificava-se fazendo perguntas inconvenientes sobre os conteúdos aos vendedores, além de conferir rasuras e trechos sublinhados. mas o que ele não se lembrava era de um antigo e pequenino livro, do espólio do avô e escrito pelo próprio, edição limitadíssima, capa dura, costura, páginas grossas, amareladas e com manchas em marrom, cheirando mofo. é dito desse senhor de gante que ao comemorar o aniversário do avô, morreu. no mesmo dia encontraram o tal livro aberto na cabeceira de sua cama. as páginas a mostra descreviam supostas propriedades terapêuticas ligadas ao consumo regular de produtos derivados da semente da mostarda.

dizem: nunca subestimem a capacidade de um ser humano ser imprudente. a imprudência humana não tem limites. se a maioria esmagadora dos colecionadores tem pelo menos um terço de livros não lidos e um quinto intocado, há de se observar os tempos de escassez monetária, as aquisições em sebos – usados, isto é, com grande chance de estarem já lidos -, além dos empréstimos repentinos. o pior tipo de amigo ao qual se empresta um livro é aquele que rapidamente lê e o devolve. felizmente, a maioria dos emprestadores se contenta em pegar o livro e esquecê-lo em sua própria estante, ou ainda jogado dentro do armário, na sessão de roupas de inverno.

em tempos de desespero, lembrem-se de observar o ávido hóspede que se embrenha na sala de estar, retira os exemplares mais brilhantes, das páginas mais alvas, e quando você menos espera – quando vai ensaiar o final de semana em são paulo, quando resolve passear a tarde inteira no zoológico, quando vai visitar um colega afim de produzir uma cerveja tipo ale – senta-se no sofá e devora os livros apenas folheados, deflora aqueles ainda virgens.

ler você mesmo todos os livros da estante é um difícil e elaborado ato suicida, de tom franciscano, de um empenho e força de vontade ímpar. mas deixar inúmeros livros não lidos não significa de modo algum uma vida longa e próspera.

atualmente, na minha estante pequena estante de belo horizonte existem 129 livros. acredito que 36 destes nunca foram lidos.

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para matthias koole por ocasião de seu aniversário.


postado em 21 de dezembro de 2014, categoria prosa / poesia : , ,

3 transcrições, 25 nov 2014

1.
pedagogia do excesso; maria não é xingamento; mas o fim é o começo.

2.
algo deu errado
te vejo ano que vem
ok?

3.
a: então sou de cara excessivo. pedagogia do excesso.
h: é um filtro.

a: é como contato improvisação.
g: tipo maria vai com as outras.
h: maria não é xingamento!

g: está por 100 reais.
a: é o fim então.
h: mas o fim é o começo.
a: não é.


postado em 27 de novembro de 2014, categoria prosa / poesia : , , , , , ,