o cavalo hans

diz-se do cavalo hans: não é que sabia matemática, apenas lia as mentes das pessoas; de modo que, se tivesse de responder a ignorantes quanto era 91 dividido por 7, dificilmente bateria a pata 13 vezes. mas se o desafiador fosse sábio, sim. pois a mente era lida no corpo, antes mesmo de poder ser acessada na consciência. e isso era “verdadeiramente racional” – as patadas o demonstraram. assim, sobre a intuição:

se o corpo fala, que diga o cavalo.


postado em 11 de março de 2017, categoria aforismos, comentários : , , , , , ,

two lessons by karkowski

the golden rule: if it’s not red, raise it.

apocryphal: there is no headroom.


postado em 18 de fevereiro de 2017, categoria aforismos : , , , , , ,

humanos: animais

às vezes, ao ser confrontado com a burrice e estupidez humana, tento diminuir minha irritação pensando: são apenas animais, os humanos.

mas se um cachorro, na rua, corre em minha direção e morde minha perna, ou faz cocô bem na entrada de minha casa, por acaso não me irrito?

(pense em um gato em cima de uma árvore, em pânico)


postado em 14 de fevereiro de 2017, categoria aforismos : , , , , ,

dois provérbios de nisei

1. não há nada que tenha sido feito que um japonês não tenha copiado (bem) errado.

2. não há nada que tenha sido dito que um japonês não tenha entendido (bem) errado.

***

bônus: “a criatividade é um mito. torne-se um mestre da imitação.”


postado em 14 de novembro de 2016, categoria aforismos : , , , ,

provérbios da vizinhança classe média

1. cada macaco no seu galho / cada um no seu quadrado.

2. os incomodados que se retirem.


postado em 6 de novembro de 2016, categoria aforismos : , , ,

pedagogia #2

como não nos percebemos aprendendo e como para nós saber é sempre uma aposta a se verificar, estudar é conviver com as trevas, é se alimentar das trevas, é acreditar na incerteza da escuridão.

ao caminhar pelas ruelas mal iluminadas da cidade do conhecimento entrevemos aqui e ali janelas em que lâmpadas estão acesas e os habitantes no conforto. mas preferimos o sereno. alimentamos, com a esperança da alegria, a angústia do tatear de quem se recompõe, após um tropeço.


postado em 16 de outubro de 2016, categoria aforismos : , , , , ,

existencialismo japonês #1

1. 幻想
profundidade é o nome da ilusão originada no apego

2. 漆黒の闇
o cósmico é grande indiferença e escuridão
[アザトース]

3. 有意義
a noite animal que ronda o dia não deve tapar o sol
(importância da explicitação)

4. 幸せと興奮
a felicidade se compra com uma garrafa de vinho, já a tristeza não
[の反対は退屈なのです]


postado em 22 de setembro de 2016, categoria aforismos : , , , , , , ,

so long and thanks for all the fish

o fato do ser humano dominar a linguagem e ter erigido um conjunto técnico vasto é tanto prova de sua inteligência superior quanto de sua burrice suprema. douglas adams expressou essa antinomia magistralmente em sua obra prima o guia dos mochileiros da galáxia, com a máxima: “adeus e obrigado pelos peixes“.


postado em 29 de julho de 2016, categoria aforismos, comentários : , , , ,

meio de junho de 2016

1. faz uns 20 anos que torço contra a seleção brasileira. faz parte do que considero “patriotismo”. mas já desde 2006 não vejo futebol, o que é como não gostar de chocolate, não ter celular, evitar dirigir e nunca ter fumado maconha: “um outro mundo é possível”.

2. a vantagem da literatura é poder transformar desentendimentos em textos, ficar pensando se publica ou não, por não querer ampliar a possibilidade de piorar a situação, decidir publicar e dependendo do resultado, responder: mas é tão bom como crônica! e se isso causar irritação, repetir um mantra do tipo “eu não sou cordial, eu não sou cordial”, na esperança de que exista um espaço racional de expressão da irritação no mundo.

3. na internet, falam de catedral. como vivo esbarrando em mundos pequenos, pequeninos, vou mencionar aqui a possibilidade de uma cena virar uma panelinha; já de um lado mais institucional, paróquias.

4. mais um mantra: “o homem que está tranquilo com sua solidão é rei do mundo.”

5. alguém perguntou: “o que é melhor que sexo?” ora, quando estou com fome, comer; quando estou com sono, dormir; quando estou concentrado, trabalhar; quando estou artístico, fazer música; quando estou sóbrio, ler.

6. num cartão não muito grande, há a instrução: “escreva aqui todas as palavras que você sabe.”

7. na verdade, anos e anos reclamando de concertos de peças de 8 minutos, percebo que as mostras coletivas de artes plásticas são exatamente o mesmo. como é bom ver uma galeria reservada a apenas uma pessoa/grupo artístico – como a coisa ganha sentido! é como ouvir um álbum inteiro.

8. esses dias lembrei, sem motivo, da frase do silverchair, música slave: “the only book i wrote is how to loose”. e comparei com a do bonde da stronda: “manual da stronda é meu livro de berço, única coisa que eu leio e nunca me esqueço”. na adolescência, marginais vs playboys. gostaria de pensar que o “e” do “e nunca me esqueço” não atrapalha a exclusividade do “único livro que eles lêem”.

9. em 1983, ano em que eu nascia, cronenberg lançava videodrome. outros filmes que eu gosto muito em que a tv figura de modo bizarro são funky forest, do ishii, e ringu, de nakata. nunca li simulacros e simulação de jean baudrillard. uma vez eu e mário tivemos de carregar algumas tvs de tubo para uma performance de azul no centro cultural da juventude, em são paulo. uma delas pesava quase 60 kilos.


postado em 19 de junho de 2016, categoria aforismos, comentários : , , , , , , , , , , , ,

política

se a filosofia é a arte conceitual cujo material é o pensamento (rosi braidotti falando sobre françois laruelle), então a política é a arte conceitual cujo material é o poder. nisso, a essência do poder continua sendo a estética, de toda forma (o que não tem, ao que parece, relação direta nenhuma nem com o belo nem com o bom).


postado em 7 de junho de 2016, categoria aforismos : , , , , , , , ,