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Assassino de Ninjas da Animação

Ninja Slayer From Animation aposta na fórmula: como piorar um 少年 para fazê-lo melhor? Nisso, parte de uma história apócrifa – estrangeiros teriam produzido uma novela com uma “história no estilo japonês”. Mas o que seria isso? O que faria essa história ser extremamente estereotipada? Então, primeiro, trata-se de exercitar ver com os olhos dos outros – o que de mais grosseiro e genérico outros veriam nesse gênero? E depois, transformar o “extremamente”, que geralmente conota “mediocridade” e “lugar comum” em produções normais, em um “extravangantemente” que enfatiza o tosco, organiza o precário e usa o simplista para trabalhar jogos formais. Alguns exemplos:

  • Ninjas: um monte deles. De todos os tipos. No fundo, tudo pode ser “ninja”. E ninjas tem poderes. Normalmente, o poder define a existência e a forma pessoalassassino de ninjas tem o poder de “assassinar ninjas” (que magistralmente também é um “espírito assassino de ninjas”).  E como todos sabem, os ninjas sempre se apresentam formalmente um ao outro antes de uma luta.
  • Nomes em inglês: dos personagens, mas também dos capítulos, escritos absurdamente em katakana. O nome do seriado é o maior exemplo: a tradução minha no título não é pior do que o original.
  • Explicações completamente arbitrárias: de técnicas de combate, mas também de falas, por um narrador em off. Mas são arbitrárias só no sentido da explicação. No sentido formal, sempre mostram como não há conexão firme entre explicação e animação/ação.
  • Gritos: sempre os mesmos, dois 気合 para ataque (aiaaa, washoi), um lamento ou grito de dor (aieeee), uma palavra para derrota (さよなら – sayonara, todos sabem essa, “adeus”, aliás sempre acompanhada de uma explosão)
  • Videogame: lutas no estilo arcade são tornadas ainda piores pelo uso de animação em cartões arrastados. “Uma luta de anime nunca precisa ser uma luta de verdade, mas apenas um desfile de poderes e técnicas imaginárias”. Ademais, sempre haverão chefes e níveis, como 6 níveis até o último chefe. E os episódios serão no estilo “derrotar alguém”.
  • Erotismo: como considera-se que a parte masculina já esteja presente na própria masculinidade dos personagens, em sua disposição heróica pra luta, o apelo das garotas deve ser reforçado por colocações especificamente sexistas/sexualizantes. Isso é levado ao extremo ridículo com a cena de Nancy hackeando o palácio de Laomoto.

Há também momentos brilhantes. Na luta entre Ninja Slayer e Darkninja uma sequência animada toscamente é repetido inúmeras vezes exatamente igual, reduzindo a ideia de animação de luta a uma máquina “imagem de soco”. Em um episódio dedicado a Koki Yamoto, a câmera “erra” ao tentar segui-la tomando banho para mostrar uma cena loli erótica mas lembra que isso seria impróprio no meio do movimento e simplesmente retrocede o movimento de volta, cortando a cena. A colocação do “sempre presente” episódio de recapitulação no penúltimo capítulo também é de maestria formal, ainda mais porque basicamente não é necessária nenhuma recapitulação, numa história que se resume a “X quer vingar-se, matando pessoas pertencentes a Y”.

Até aqui não falei da animação. Onde Inferno Cop era divertido pela absurda má qualidade da animação e do roteiro, em Ninja Slayer  existe uma mistura incongruente de tipos de animação, transformando o tipo de animação e sua qualidade em parâmetros formais. E então é possível variar formalmente esses tipos, criando jogos de contraste e mudanças de abordagem ao desenho e animação. Não chega a ser algo amplamente serializado (como por exemplo na trilogia de filmes de Peter Greenaway, The Tulse Lupper Suitcases, em que características cinematográficas são transformadas em parâmetros variáveis em matrizes combinatórias), mas há tipos disponíveis para determinadas cenas e/ou personagens, e modos contraste, como

  • Lutas em “personagens cartão”.
  • Reflexões ou conversas com imagem parada; contraste dramático entre resolução de cena e personagens cartão.
  • Fofura (moe?) ou detalhe bem “anime” em personagens humanos (principalmente a menina, mas também nos ninjas sem indumentária, quando aparecem como pessoas)
  • Alternância entre imagens estilo paint e animadas com qualidade um pouco melhor.
  • Rabisco (especialmente nos espíritos).
  • Mudança de quantidade de quadros e transições para algumas cenas de ação (do quase detalhado ao precário)
  • Explosões e fogo, sobrpostas deslocadas toscamente dos objetos e personagens que estariam explodindo.

{ニンジャスレイヤー フロムアニメイシヨン, série em 26 episódios de 14 minutos, 2015, nota 7/10}

 

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