notícias dezembro de 2017

1. desde julho uns livros sobre bataille não me chegam. há uma mensagem específica no bookdepository: “if you are ordering from brazil…“. ah, curitiba, curitiba, lar da receita federal.
 
2. finalmente o brasil mostrou que não é necessário monarcas. cervejeiros e banqueiros bastam. o 1% é nosso. depois da pesquisa que dizia que trabalhadores de fábrica chinesas ganhavam em média melhor que aqui, era essa a próxima mesmo. orgulho nacional.
 
3. no final era hitler. sempre ele. mas ele se travestia de pura energia, aparecendo como um samurai mágico. suas estátuas canhão indianas, na forma de mulheres buda de ouro, acordaram para a individualidade. bastou um “cogito ergo sum” para que elas começassem a destruir uma às outras, pois compartilhavam o mesmo programa e assim queriam ser cada uma, individualmente, única. descartes e a destruição que resulta na manutenção da paz no universo. (ep 39 de “space adventure cobra“).
 
4. o fim da neutralidade da internet é um daqueles assuntos em que eu sinto que devo comentar sobre. mas comentar o que? nunca vi um único usuário ser a favor de ser sacaneado e ter menos acesso, além de sentir se na mão de uns imbecis cheios da grana.
 
5, assim é. um bar fecha a rua com ajuda da polícia militar vira e mexe. os motoristas nunca sabem e de qualquer forma tem de pegar os passageiros e depois dar ré. a rota é tortuosa, e às vezes erra-se a curva. há sempre resmungos. no ponto, a 3 anos o teto rachou e desde então vai se deteriorando. as pessoas olham pra cima preocupadas, se e se escondem do sol do outro lado da rua. e resmungam. quando o ônibus para fora do ponto, em uma chuva do tipo “inunda rua”, a mulher grita ao motorista pra aproximar da calçada. ele finge que não ouviu. espera ela descer, só que ela não desce, então ele vai pro próximo ponto e para igualmente na rua. ela vai ficar imensamente encharcada. é uma senhora já idosa. a opinião se divide. mas ela quer o quê também, isso não é um taxi. às vezes eu acho tudo isso ofensivo. às vezes eu intervenho, vou até o motorista, argumento com os passageiros, ligo pra bhtrans pelo ponto. felizmente, há ainda antropologia. mas é cansativo.
 
6. domingo em belo horizonte e eu, por indocrinação paulista, procuro em vão uma cafeteria aberta. não há. não porque eu esteja em bairros afastados. não estou. a realidade vence a vontade. não deixo de ecoar um desprezo pelo suposto nível civilizatório inferior que isso indica a alguém cujo convite “vamos nos encontrar lá no café” é um exemplo de “pura ideologia”.

postado em 9 de janeiro de 2018, categoria comentários, crônicas : , , , , , , , , , , , , ,

uma gata antes da morte

eu estava em foz do iguaçu, a ministrar uma oficina de edição de som na unila. então, soube depois. leucemia. antes, entretanto, comportamento louco: após anos sem caçar, pega 2 lagartixas e as come, na minha frente, muito magra mas ágil. esconde-se num banheiro úmido. sabendo o tamanho da bronca, dorme 3 vezes em cima das minhas malas, no quarto. urina num recipiente de plástico jogado no jardim. espera secar um pouco; deita-se em cima. faz tempo que não baba. é outra pessoa. ou vê fantasmas da juventude que não conheci. descanse em paz, mel.


postado em 5 de janeiro de 2018, categoria crônicas : , , , ,

adeus 2017

2017 foi um ano estranho. saio dele querendo ser mais vencedor que herói. talvez minha arte pudesse ser mais cultura. o mundo, sempre voltando a pedir “as tarefas de casa”. um dia, plantei mais de 30 sementes e nenhuma germinou. meus horários de avião foram péssimos. aprendi a fazer coisas tendo dormido pouco. dos 18 editais mandados entre janeiro e março, passei apenas nas duas oportunidades que não fazia questão (uma delas, a estréia de uma versão comédia-free improv do livro da certeza, de wittgenstein, sem ganhar um tostão). então, reclamei. como percebi que não ganharia dinheiro algum, dada a estratégia política pateta dos gestores para a área de cultura, pedi para colegas me convidarem a trabalhar, em troco de viagens. assim, fui à joão pessoa, tocar o brasil não chega às oitavas, com c.h. malves. passei por recife, e toquei com o hrönir, na série rumor (a mixagem desse show segue as lições de karkowski). também estive pela unila, para uma oficina de edição de som e um show. gravei um passeio às cataratas do iguaçu, lado brasileiro. de trabalhos, pude receber algo muito próximo do mínimo permitido, ao editar as 10 horas do impeachment para o manifestação pacífica. no sesc, com uma obra absurda do infinito menos (3-tríade-∆-trio), ganhei bem mais, mas na fea, quando tocamos mesma coisa e dependíamos de bilheteria, aí nem conta. ademais, fui curador no fime desse ano, e escrevi um texto sobre o processo de seleção dos artistas.

senti que estava velho, com provérbios envolvendo sabedoria (da boca pra fora). tirei 68.5 numa prova de doutorado da qual passaria se tivesse tirado 70 (cuja base era esse artigo sobre o fim da música). fiquei gripado pelo menos 8 vezes. finalmente expliquei o meu amor pela coleção particular, de georges perec. e também o episódio de odisseu e as sereias, que tanto me fascinava. aproveitei e falei sobre um episódio bíblico, tanto curioso quanto enervante. escrevi dois bons poemas: arte contra a vida e todos os meus amigos. escrevi um belo conto sobre repressão e dinheiro. quis comentar sobre assuntos atuais, mas felizmente, a pós-verdade durou pouco (a hype do star wars, por outro lado, tenderá à eternidade, com novos e novos filmes). a mel, a gata que morava comigo morreu, mas deixo os pêsames pra outra postagem. uns artistas, meus conhecidos, quase viraram memes de satanismo. os humanos (e os evangélicos andam muito humanos), afinal de contas, são animais. mas isso não muda nada. ou então – sou um pouco mais feliz com protetores auriculares de titânio (evitando, de quando em quando, a nicole). se um alienígena enorme aqui chegasse, a questão não ia ser cognitiva, mas sim a diferença de tamanho.

dos trabalhos grandes, realizei o harry and tom, coleção de todas as aparições de nomes dos personagens harry potter e tom riddle, durante a filmografia do herói. ninguém deu bola. eu gosto muito do filme. também montei uma vídeo-instalação, dead and dying pixels, no luthier bar. estivemos eu e matthias por lá, com mais duas temporadas das quartas de improviso, com 22 edições e chegando ao número 110, além de 5 noites de boteco ruído, com artistas convidados. o apê amarelo da maria e do miguel deram o apoio inestimável. o 4e25 assumiu os cartazes, e esse ano o matheus colaborou no dia nacional contra a humanidade, executando também o logo do homem-cão que mija. o luthier fez um ano glorioso, mas acabou fechando as portas (há continuidade para os bares legais e aventurosos ou o capitalismo alcóolico é pura mediocridade?).

finalmente terminei meu álbum coleções digitais. demorou umas 600 horas de trabalho, em 8 anos. alguns amigos deram bola, mas passou quase desapercebido, embora sem sombra de dúvida, tenha sido o melhor álbum do ano, do planeta terra (mais sobre isso em breve). mas foi sofrido (leiam o encarte). queria morrer ao ver que a faixa que coletava todos os gritos do michael jackson tinha 36 minutos. a solução foi transformá-la em um outro álbum (espero ansiosamente a malware pra retomar o plano de lançar em k7) e depois retrabalha-la, amostra por amostra, retirando trechos melódicos, diminuindo a música para 19 minutos. após isso, ainda  masterizar, sempre estranho quando se está saturado de escuta.

outros álbuns que masterizei foram o casa acústica, do scarassatti, sob a orientação de paulo dantas, no @nll, e o 3 solos, do mário del nunzio. e o sr 3 anos, que coordenei, com o louco projeto da versão 24 horas (e haverá edições limitadas físicas do livro-zine, com arte gráfica da sanannda).

continuei estudando japonês. é um projeto de anos, coisa lenta (não consegui nem dar uma palhinha com um dos meus ídolos, otomo yoshihide). dei uma pesquisada na escrita chinesa li um pouco de gramática. comecei meu blogue 馬鹿, projeto de crítica do popas melhores resenhas de animes foram as desventuras do pão queimado (こげパン), assassinos de ninjas da animação (ニンジャスレイヤー フロムアニメイシヨン) e gurren lagann e o prometeanismo (天元突破グレンラガン), três séries que não posso deixar de recomendar. o filme que me empolgou foi o clássico de terror japonês pulso (回路). acabei usando cenas dele no videoclipe de 16h07, da daphine jardin (que de resto, é uma busca por implementar esse programa, como no seu especial de natal).

tanto pulso quanto ghosts of my life informaram minha apreciação sobre o álbum eccojams vol.1, de chuck persons e puderem se transformar numa visão minha sobre o que seriam os fantasmas do capitalismo, sob a ótica do vaporwave. na linda, escrevi bem menos. indico minhas resenhas sobre o álbum do eue, improvisos com um alto-falante alterado, e o triplo da eliane radigue, adnos i-iii.

os livros mais legais foram ghosts of my life, de mark fisher, para o qual coletei as músicas citadas (o autor se suicidou). inventing the future, de srnicek-williams, que consolidou o meu entendimento sobre o neoliberalismo e me deu vontade de traduzir e presentear. na onda da renda básica universal, panaceia mundial, li também o divertido utopia for realists, do rutger bregman – o capitulo sobre a par nixon-freeman é bem pitoresco.

finalmente li synners, da pat cadigan. prometi a mim mesmo que ia escrever sobre o uso da palavra porn, no livro, usando o beyond explicit, da helen helster como referência. ataquei o clássico da zoeira cyberpunk ancap, snow crash (neal stephenson), em que ocorre a tatuagem na testa: sem controle emocional. em uma coincidência, o tradutor, fábio fernandes, acabou, via facebook, recomendando a série de ficção inteiramente positiva que eu tanto ansiava, e assim li code blue – emergency (a sector general novel), do james white. que todos os seres sapientes sejam bons e tenham boas intenções não é desculpa para que não existam problemas. concluo então que deverá existir arte pós-utopia – adorno está errado. aliás, quem diria, em a arte e as artes, ele fala da importância do enlaçamento das artes (a tradução é do rodrigo duarte, com o qual tive meu primeiro curso de filosofia completo na vida). por fim, esse ano saiu em português o segundo livro da trilogia de cixin liu, a floresta sombria. o primeiro é o problema dos três corpos, e há algo muito interessante no fato do autor ser chinês, as referências e problemas, em meio a perspectiva de invasão alienígena (que deve acontecer no terceiro livro, ainda não traduzido).

é isso. remendando-caos, vejo que no todo não foi um ano perdido. 2018 estamos aí e se eu puder desejar algo para acompanhar os votos de 明けましておめでとうございます (feliz ano novo), seria: que possamos nos ajudar a discutir e reclamar melhor no ciclo vindouro.


postado em 1 de janeiro de 2018, categoria reblog : , ,

um koan de presente

renata me pediu um koan de presente. eu lhe disse que daria um koan não dando um koan. mas isso ainda não era um koan. isto sim.


postado em 22 de dezembro de 2017, categoria aforismos : ,

nightlife china

How does nightlife inspire you? (we love to party, party)
夜生活对你来说怎么催发灵感? *

It alters the sense of time, as time goes out of joint, run in fragments, connecting parts non-linearly in our memory and making our actions connect not moment to moment. It makes speed changes in perception – sometimes very accelerated, sometimes de-accelerating, slow beyond productive measure, but still, producing experience, a standing still amnesiac time. It gets into compositions of togetherness and loneliness not connected to how many people is around; you can try to bring many lonely souls that can be lonely together, or synchronized in togetherness to different degrees.


postado em 18 de dezembro de 2017, categoria comentários : , , , , ,

cataratas do iguaçu

tarde de 01 de dezembro de 2017, foz do iguaçu. trilha do passeio a pé até o ponto mais próximo às cataratas no lado brasileiro, corte (trecho da ponte – muito húmido), outro ponto próximo, corte, caminho em direção ao ponto de ônibus.


postado em 15 de dezembro de 2017, categoria gravações : , , ,

amarelo

muitas vezes quando alguma coisa é dita branca e masculina ou européia e masculina eu fico me perguntando? mas e os japoneses? eles não são amarelos?


postado em 13 de dezembro de 2017, categoria comentários : , , , ,

a ideia / a foto

1. nos faz prometer muito mais do que é possível cumprir.

2. nos faz lembrar que não nos esquecemos.

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o homem é um projeto? se não, é preciso ter a fotografia mas não a foto. e deixar fluirem as ideias até que o rastro seja tênue ressonância.


postado em 11 de dezembro de 2017, categoria aforismos : , , , , , , , ,

notícias novembro de 2017

1. por que as pessoas amam esbarrar? uma das teorias diz que isso as lembra constantemente de como os outros são apenas obstáculos.

2. falam mal do comunismo mas esquecem de dizer que nele a coxinha do aeroporto custaria barato igual a do boteco da esquina.

3. quando você coloca açaí em um copo e sorve o final, já derretido, com uma colher, o processo poderia ser infinito, dado que cada colherada pega metade da anterior.


postado em 4 de dezembro de 2017, categoria comentários : , , , , ,

velocidade no trabalho

como eu sou uma pessoa que não acredita na lentidão no trabalho e que evita ponderar sempre que pode, tenho de distribuir aqui e ali tarefas repetitivas, seja estafantes ou simplesmente copiosas. deep working? i’d rather go surface tinkering. either way, “let the brain do the job”.


postado em 1 de dezembro de 2017, categoria aforismos : , , , ,