sonhos banais

entretanto, quando fui sonhar, sonhei que estava editando um áudio no computador quando, de repente, caiu a energia. minha placa de som desligou e eu fiquei contrariado, mas logo a energia voltou. só que o programa travou, e eu fiquei me perguntando se ele tinha salvo minhas últimas alterações, pois detestaria fazê-las de novo.

antes de dormir dei uma bronca no amigo de meu colega de casa, que estava a fazer xixi de porta semi aberta. como a bronca foi dada à distância – estava irritado e indo dormir, e ninguém quer ouvir a urina pingando de outrem, foi um pouco grosseira. no sonho, era de manhã e eu me desculpava com o rai. desculpe ter dado bronca daquele jeito ontem.

chego no meu quarto e penso – vou trocar de cueca – apesar de não ir tomar banho agora, esta está suja, e eu ainda posso aproveitar pra usar uma vestimenta de baixo de cor igual a da calça, um pequeno gracejo. mas quando abro a gaveta, vejo que não há sequer uma peça lá. todas as cuecas estão sujas. penso: preciso urgentemente lavar a roupa.


postado em 24 de junho de 2019, categoria sonhos : ,

não necessariamente simples

a arte sonora e a arte conceitual não precisam ser simples. a simplicidade não é exigência para consistência artística nem para existência conceitual. você pode ter de explicar a ideia de algo conceitual em várias páginas, ao invés de em um breve parágrafo. pode haver uma constelação conceitual, um arquipélago, ao invés de uma unidade isolada. e não é por que há uma relação de elementos intrincados que algo deixa de ser arte sonora e vira música. “a partir daqui, me perco, então só escuto”. talvez por esse efeito, em que o inteligível dá lugar à experiência estética, ao recusar o enigma, tenha-se buscado o pontual, sóbrio, o anedótico, o criptografado, o abstêmio, íntegro, elementar… contra isso, uma arte de detetive, e que usa os sentidos como tema para as elaborações da ideia e vice versa. então, contra meramente fornecer uma chave que bastaria para resolver a interpretação e uma limpidez que resolveria a fruição, movendo do estético e em parte o anulando, em direção ao conceitual.


postado em 17 de junho de 2019, categoria comentários : , , ,

ideinha

chamo de ideinha algo que poderia ser bom mas é ruim (e sempre será).


postado em 13 de junho de 2019, categoria comentários : , , , ,

poemas bobos

1.

a: “eu vou dormer”
b: “e eu, comir”

2.

a: fan-filo-fiction
b: fan-fiction filô

3.

não tem ego, só tem eu
não tem id, só tem isso


postado em 31 de maio de 2019, categoria prosa / poesia : , , , ,

a sereia de pernas tortas e a mediocridade

a mulher que tão depressa era feia como bonita rogou a deus que lhe fizesse ou uma ou outra, cansada das declarações de amor e das bulinações, de caroços de azeitona à cabeça. pois em ambas sendo extrema, e ambas possuindo, não suportava a alternância nos outros, muito antes que a dela. sendo agora feia, podia ser desprezada pelos homens e admirada pelos animais, e mesmo triste e com a testa doída, seria de tal modo excêntrica que pudesse sonhar com o amor de um rei [*].

mas ao contrário de quem, medíocre, deseja, por revolta, ser feia, ou por anseio, ser bonita, digo que é preciso tecer um elogio à mediocridade na beleza. pois há a vantagem da média que é não chamar a atenção, de um lado ou do outro, mas permitir que alguns de toda a gama, por química ou predileção, por algum detalhe ou combinação, possam considerar mais solitariamente e com mais particularidade aquilo como lindeza. e isso sem excentricidade e sem alternância, mas sobretudo, sem universalidade.


postado em 30 de maio de 2019, categoria aforismos : , , , ,

esportes que o infinito menos apoia com entusiasmo

(lista de 2018. foto de dorothé depeauw)


postado em 21 de maio de 2019, categoria fotografia, miscelânia : , ,

pós-CLTA, sugestões de edificações

depois que obtivermos o comunismo luxuriante totalmente automatizado, poderemos então ir ao que interessa. por isso entendo algo como erigir, no ramo da construção:

1. o ovo do smetak.
2. um lago para mergulho e explorações em profundidade aquática.
3. uma sala de contato improvisação sem atração gravitacional.
4. o castelo de ponta cabeça de garota revolucionária utena.
5. uma discoteca com túnel de vento na pista de dança.


postado em 19 de maio de 2019, categoria comentários : , , , , , ,

eles nos pagam

foi provavelmente guattari quem sugeriu que os analisandos que deveriam ser pagos, em uma consulta psicanalítica, dado que seriam eles que fariam o trabalho propriamente dito. giuliano obici, em compro auri, aplicou tal lógica aos ouvintes, pagando lhe pelas suas escutas (mas não em ouro). estes dias, quando liguei para a net, afim de assinar um plano de internet, o mesmo saia por R$140 o mês, exceto se eu também incluísse um serviço de telefone fixo. pois com tal serviço, a assinatura passaria a R$100 por mês, o que nos conduziria fatalmente à explicação: eles nos pagam.

se fizéssemos uma tabela comparativa da quantidade paga, 3 minutos por R$1, e um mês por um desconto de R$40, seriamos levados a acreditar que o marketing lucra mais que a música experimental.


postado em 10 de maio de 2019, categoria comentários : , , , , , , , ,

a incrível máquina de ei você não pode fazer isso

era meu grupo supostamente inspirado em “ground zero” e que praticaria jogos musicais, atuante entre os anos de 2005 e 2006 (com uma apresentação avulsa com outros músicos em 2008 no rio de janeiro). certamente alguns nomes de composições foram influenciados pela animação “arrume tudo e pare com isso“. que eu tenha anotado, as músicas possíveis eram:

  • afável ser
  • a única coisa importante sobre wittgenstein afora o quarto com a cadeira e a caixa de sapato
  • aviãozinho
  • calvinball 2
  • encontros e armadilhas
  • fama
  • gato mia
  • groove-groove
  • grunge-groove
  • jogo do pacto demoníaco
  • o homem com o dedo no nariz
  • o terrível mecanismo de agora-faça-tudo
  • zip-zapatismo

em um evento com streaming de pronunciamento do comandante marcos na rádio muda, unicamp, 15 de agosto d 2006.


postado em 7 de maio de 2019, categoria miscelânia : , , , ,

bruise pristine

por algum motivo, júlia percebeu que eu não sabia ao certo como um chupão ocorria e tirou a conclusão acertada de que nunca havia sofrido um. lembrei do hit juvenil do placebo. influenciado por este, imaginava pessoas a passar minutos sugando o pescoço uma das outras, até que um gentil hematoma fosse impingido. o preço do social, talvez dissesse a banda. tivesse eu atentado a isso: preço indica dor, incômodo, não apenas marca. vou te marcar, ela disse, e um triângulo roxo no início da cervical frontal indicará “território explorado por _”. mas é algo rápido, há um estalido e uma dor mais queimada, de picada. ei, doeu. e ela: agora você sabe, e sofre.

(i) o hematoma desse tipo deve ser tomado como indicação de atividade sexual com algum parceiro (?). há na atividade sexual o fantasma da posse? ter um hematoma desse tipo implica um afastamento de possíveis interações, por um pressuposto de estar maculado, de estar sob a posse de? como um namoro de sacanagem, adolescentes se marcam para evocar fantasmas de posse, de possessão, uns nos outros.

(ii) há ainda o tabu do sexual. do prazer misturado à dor. há algo de afronta naquilo que retira do privado a condição de praticante, publicizando-a em marcas, resíduos, despojos.

(iii) mas e se as marcas fossem inevitáveis? sistema sexual em que para consumar a relação é instituído um chupão: posição codificada quanto ao tipo de envolvimento. de modo menos social, devem haver seres cujos cheiros ineludíveis não permitem outra base para as relações. lembro da anedota contada por carol sudati sobre homens de barba, que não poderiam trair com sucesso uma relação amorosa com outras mulheres, os pelos retendo o odor liberado durante o coito (mas isso mesmo sem contato da cara com a vagina?). [notem: como isso diferiria do sistema “anéis de namoro / noivado / casamento”]


postado em 23 de abril de 2019, categoria comentários : , , , , , , , ,